domingo, 6 de novembro de 2016

O dia em que eu não consegui ir embora.

No dia em que eu não consegui ir embora, após uma brincadeira boba, senti na pele como seriam o restante dos meus dias sem você.

Parado em frente ao portão com o rosto em chamas e os olhos cheios de lágrimas, eu não conseguia decidir o que fazer, ou para qual lado ir. Parecia que meus largos passos para longe de você haviam drenado toda a força que me sustentava. Resignei-me a sentar num banco, e tentar não chorar na frente de um guarda curioso que me observava com atenção.

Apesar do desejo de voltar, e  rir com você de toda bobagem, de todo aquele charminho inútil, eu senti muita vergonha. Não esperava que você viesse atrás de mim, pedindo para voltar, porque você em inúmeras ocasiões já demonstrou que não é esse tipo de pessoa, muito diferente de mim, que vez ou outra contorna as promessas sem fundamentos, só para te arrancar um "eu disse que você não iria aguentar". Por outro lado, em qualquer tipo de estranhamento ou desentendimento, você é o primeiro a me puxar para conversar, e eu te admiro muito por isso. Você enfrenta todas as minhas tentativas de me fechar, consegue invadir a minha concha, derrubar a barreira invisível que eu levantei em instantes como ninguém o fez antes. E eu sei que na maioria das vezes você não entende os meus motivos para estar de cara fechada, acha que tudo é simplesmente ciúme bobo, mas no fim de tudo, apesar dos meus defeitos e ainda sem conseguir compreender os meus motivos, você diz que me adora, e eu sei que estamos bem.

E você sabe que eu também te adoro, cada dia mais. Tenho verbalizo isso todos os dias para que você não esqueça. Saiba que eu seria incapaz de me perder nas memórias das quais houve algum tipo de estranhamento, ou que não chegamos a um consenso de nossas particularidades; nem vivo revisitando esses episódios. Eles apenas aconteceram, e de alguma forma bem simples, servem apenas como aprendizado.

Mas foi naquele dia em que eu não consegui ir embora, que eu percebi que nenhuma cara amarrada, valeria mais que seu abraço. E por mais que hajam dias em que minha paciência esteja curta, seu sorriso é o que eu preciso para ter certeza de que nem tudo está perdido. E ter você, por vezes, testando meus limites é o me torna cada dia mais forte, que me faz pensar duas vezes antes de perceber que eu não posso simplesmente caminhar para longe de você, porque eu reconheço que você tem me feito muito feliz. São nos pequenos gestos de nosso cotidiano que eu acompanho o crescimento de sua importância em minha vida. E ainda que algumas pessoas não entendam como nós, em nossas diferenças, nos damos tão bem, eu sei que é ao seu lado que eu quero acordar mais um dia. Porque eu gosto de como você enlaça seus pés nos meus enquanto dormimos, gosto dos seus braços me puxando firmemente contra o seu corpo, gosto de acordar com o seu cheiro na minha cama, e como você me olha quando eu acordo. Gosto mais ainda de ver você dormir, como sua boca fica quando você ronca de leve, e como seus dedos ficam quentes quando estão entrelaçados nos meus. São essas coisas que mantém minha mente ocupada durante o dia, são essas coisas importantes que me fazem gostar cada dia mais de você.

Porque mesmo que eu tenha chorado em seu ombro um dia, quando quase não o faço na presença de amigos de longa data, eu nunca o culpei pelas lágrimas, mas sempre serei grato por você ter me cedido o ombro, onde sentindo seu perfume, pude me acalmar.

E eu te acho lindo, mesmo que na maioria das vezes você não se reconheça assim. Você é o cara mais humano e carinhoso que eu poderia desejar ao meu lado. Inteligente quando se trata de algo que te instigue e te dê prazer. Inconsequente quando me cutuca com vara curta. Engraçado em todos os momentos, empático e agregador por natureza. E essas são só algumas das qualidades de tantas outras que você detém, algumas das qualidades que me segurou no dia em que pensei que ia embora, mas não fui.